Minimalismo, historicamente falando

Conheçamos ou não esta forma de vida e de expressão a fundo, todos nós já ouvimos falar de Minimalismo, quer seja associado à arte, ao design, à moda, à música, ou a qualquer outra área presente no nosso dia-a-dia.

Fotografia de Andrew Neel, em Unsplash

No entanto, para que se torne mais claro o que este representa e a sua relevância, é fundamental falar um pouco sobre a sua origem, história e evolução. Assim sendo, este artigo explora isso mesmo. De onde surge esta forma de estar na vida? De onde veio o este conceito e quando foi cunhado como tal? Em que áreas se desenvolveu? Como chegou à atualidade?

Origem

Pois bem, segundo a literatura, foi no Japão que surgiram as primeiras referências a este modo de vida. A sua origem neste país não é por acaso, está relacionada com várias questões, desde as suas já conhecidas e frequentes catástrofes naturais, como terramotos e tsunamis, que levavam a que fosse bastante difícil para as pessoas manter muitas coisas. Até à difundida filosofia Budista, praticada por muitos, na qual uma das doutrinas defendidas é que, para o alcance da iluminação espiritual não pode haver apego a bens materiais.

Fushimi Inari Taisha, Kyōto-shi, Japan, de Unsplash

Esta prática de uma vida mais simples manteve-se bastante estável até à abertura do país ao Ocidente, que trouxe inevitavelmente outras influências. Um exemplo dessa mesma influência está no design, estrutura e organização das suas cozinhas, cujas características originais apresentavam armários simples, relativamente leves e feitos de a partir de materiais como a madeira, passando posteriormente a um design muito mais ocidental, com grandes bancadas, eletrodomésticos e composto por materiais mais pesados como o mármore.

Chamado pelo nome

Posteriormente, entre 1950 e 1960, com influências japonesas, ocorreu o surgimento de um movimento artístico e revolucionário em Nova Iorque. Foi neste movimento que o nome “Minimalismo” foi utilizado pela primeira vez. Os artistas envolvidos no mesmo procuraram criar obras de arte extremamente simples em termos de cores e formas. Esta simplicidade pretendia criar arte “pouco vendável”, como forma de protesto contra o capitalismo no mundo das artes.

Este estilo é depois desenvolvido também em outras áreas visuais, como é o exemplo da arquitetura, do design, do desenho industrial mas também da música. Todos eles têm algumas coisas em comum, como a utilização de poucas componentes ou, por outras palavras, a utilização apenas do essencial.

Exemplos

Apenas para que fique mais claro, apresento de seguida dois exemplos concretos.
No caso das artes gráficas temos, por exemplo:

  • Uso de poucas cores;
  • Formas geométricas;
  • Primazia pela simetria;
  • Repetição em série;
  • Pouca emotividade associada.

Exemplo de arte minimalista, num trabalho do artista Frank Stella intitulado “Malcom’s Bouquet”, de 1965.

Malcolm’s Bouquet, 1965

No caso da música – muitas vezes referida como minimal – temos, por exemplo:

  • Poucas notas musicais;
  • Poucas variações sonoras;
  • Repetição de vários trechos (de certa forma hipnóticos).

Em seguida temos o álbum Glassworks do compositor Philip Glass, um dos mais emblemáticos na área da música eletrónica minimal.

Philip Glass – Glassworks (completo)

O menos agora é mais

Mais tarde e de uma forma bastante natural, o Minimalismo deixou de ser apenas uma forma de expressão cultural, artística, preferência estética ou ligado unicamente à filosofia Budista, para passar a ser toda uma forma de estar na vida, considerada ainda bastante alternativa, mas que tem experienciado um crescimento considerável no número de pessoas interessadas.

Chegamos assim e por fim, à vertente do Minimalismo que deu vida a este blogue, será então o tema que mais irão encontrar ao visitarem os meus restantes artigos.

Nesta fase temos a busca por respostas a questões inerentes à existência e vida humana, como a liberdade, a intencionalidade, a paz interior, realização pessoal, o ser capaz de viver no presente, a simplicidade, com menos comparação, entre outros.

Para tal, passamos a querer minimizar em várias áreas da nossa vida, como por exemplo:

  • Os bens materiais que temos em casa e o apego pelos mesmos;
  • As coisas novas que queremos forçosamente adquirir – porque achamos, inconscientemente, que nos vão fazer chegar mais perto da pessoa que queremos ser;
  • As relações tóxicas que tenhamos presentes na nossa vida.

Tudo isto, para sermos capazes de identificar o que nos é realmente importante e maximizar isso mesmo.

Afastamos nos portanto daquilo a que estamos habitualmente expostos numa sociedade mais maximalista, materialista e consumista. Pensamos de uma forma mais crítica sobre o verdadeiro valor de cada coisa, o impacto que esta terá na nossa vida e como podemos ser mais intencionais perante a mesma.

Referências

Entre algumas das pessoas que desenvolveram projetos mais marcantes a assinalar nesta parte da história do Minimalismo, vou fazer referência a três.

Temos os The Minimalists, dois amigos de longa data que iniciaram a sua jornada entre 2009 e 2010, apresentado ao mundo as suas ideias através do seu blogue, do seu podcast, de vários livros escritos e documentários realizados e sobre os quais irei falar com mais detalhe em outros artigos.

Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, Fotografia por Justin Vaseur

Do próprio Japão surgiram novos minimalistas, como é o exemplo de Fumio Sasaki que, principalmente através do seu livro publicado “Adeus, Coisas“, disponível em várias lojas físicas e online, partilha a sua experiência pessoal, de uma forma bastante acessível e humilde. Dando-nos algumas dicas sobre como começar esta mudança, como ir lidando com várias questões ao longo do processo e os grandes benefícios que sentiu através deste estilo de vida.

Fumio Sasaki, Photo Hidenori Suzuki

Como último exemplo temos Leo Babauta, escritor e pai de seis filhos, partilha também a sua experiência pessoal sobre este tema e como o Minimalismo foi tão impactante e determinante para inúmeras mudanças nos últimos anos da sua vida. A partilha é feita maioritariamente através do seu blogue e dos seus livros, sendo que um dos que mais recomendo pode ser encontrado de forma totalmente gratuita, livre de direitos de autor e em vários formatos, pelo nome “Essential Zen Habits: Mastering the Art of Change, Briefly“.

Leo Babauta

Para terminar e esperando que o artigo que acabaste de ler tenha sido não só educativo como também inspiracional e motivador, convido-te a visitares e explorares a minha galeria fotográfica, mais especificamente as fotografias da minha viagem ao Japão. Para terminar em forma de honra e quiçá fonte de entusiasmo para uma próxima aventura!

Espero que este pequeno artigo te tenha deixado mais elucidado sobre a origem do Minimalismo, deixando a curiosidade para querer saber mais.
Quero saber a tua opinião, portanto, diz-me o que achas-te deste artigo. E ainda, achas que pode ser útil para outras pessoas? Então não hesites em partilhá-lo diretamente com alguém, ou através das redes sociais. O teu contributo é muito importante para o meu trabalho.

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